domingo, 31 de agosto de 2008

O ato de escrever e postar no blog e o distanciamento

Escrever exige tempo. O texto precisa ser revisado. E esta revisão exige distanciamento. Que é um espaço de tempo entre o que foi escrito e o momento da releitura.
O distanciamento permite ver com outros olhos o que foi escrito.
No momento em que se redige um texto, o contexto está pleno na mente. Então o autor não tem dúvida sobre o que escreve. Compreende muito bem todas as frases, pois compreende a intenção que teve. Contudo, ao passar certo tempo, esquece as motivações que o levaram a elaborar cada trecho de sua obra. Neste momento o próprio criador começa a ter dúvidas sobre o que queria dizer. É um momento maravilhoso. O escritor percebe as incongruências, discrepância, incoerências, confusões, duplo sentido, informações incompletas, excessos de informação, redundâncias e outras distorções semânticas.
Mas num blog o tempo urge como gostam de dizer os poetas. A necessidade de algo novo é contínua.
Todos os blogueiros passam a “viver na pele” o que os grandes cronistas da história experimentaram ao escrever para jornais e revista: o compromisso de apresentar continuamente algo de valor a seus leitores.
A qualidade pode ser prejudicada. Ou na melhor das hipóteses o blogueiro irá repetir o que outros já disseram ou fizeram. Sempre com uma sutil diferenciação. Embora deva se consideram que não existe originalidade, conforme propagam os críticos literários.
Qual a conseqüência de escritos sem distanciamento? Talvez o arrependimento. Ou o autor diz algo com o que não concorda sinceramente. Isto já considerando as questões de ordem gramatical, semântica e ideológicas.
Então o que fazer? Ser cada vez mais crítico. Tudo na vida é questão de experiência. O aperfeiçoamento vem com a luta diária com o texto. O que hoje não esteve “perfeito” será “dica” para não mais se repetir.
Escrever é ótimo, mas não se compara ao prazer de ser lido, comentado, elogiado, “plagiado” e requisitado.
A todos os neoblogueiros um recado: nunca deixem de escrever. Hoje você é meu leitor, ontem fui ou amanhã serei o seu.

sábado, 30 de agosto de 2008

A fruta

Observe esta descrição que faço do ciclo de uma fruta, e veja se não lembra algo...

A fruta

Quando uma fruta apodrece os microorganismos se juntam em torno dela e começam a se alimentar de seu corpo levando-a a decadência e degenerando-lhe o aspecto. A fruta, no entanto, nada sente, não percebe a presença dos decompositores, porque não é racional.
Com o tempo a fruta é totalmente consumida restando apenas a semente, que poderá se desfazer pelos elementos climáticos ou outros fenômenos. Mas pode ser que a semente, tendo recebido uma carga de terra, que impeça a atmosfera de tocá-la, brote, e dê origem a uma nova árvore.
Portanto ela foi sepultada quando estava podre. Ao receber uma carga de terra germinou longe da ação dos elementos destrutivos da atmosfera.
Uma vez sepultada, permanece sepultada. E dará lugar a uma nova forma. Mas somente se permanecer sepultada, do contrário sua decomposição continuará incessantemente, até que da fruta nada mais sobre que possa tornar-se uma vida.
Quando atingir seu tempo certo a árvore dará frutos, ou seja, irá gerar novas frutas que estarão sujeitas aos mesmos processos descritos anteriormente.
Para que a fruta seja coberta com terra é necessário que uma influência do meio a favoreça. A exemplo disso enxurrada, desmoronamento e o ser humano dentre outros.
Caso alguém venha e descubra a fruta ela poderá ainda persistir e geminar, porém, pode também vir a se decompor.
A vida das plantas quando não sofre influência do homem, segue uma lei de transformações contínuas, que não teriam sentido algum, se não levássemos em conta que elas não podem escolher seu destino.

sexta-feira, 29 de agosto de 2008